sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Como fazer o dia nascer feliz?





Foto: http://www.evandroteixeira.net/html/brasil/index1.htm

O cinema brasileiro tem se mostrado cada vez mais atual, e adquirido a cada nova produção reconhecimento e relevância na sociedade contemporânea. João Jardim, cineasta carioca, tem se destacado nesse contexto. Pro dia nascer feliz, seu segundo longa-metragem, recebeu nove prêmios, entre eles o especial do juri no 10° Cine - PE.

O documentário trata da educação no Brasil retratando com muita sensibilidade os protagonistas do cenário educacional de nosso país (os adolescentes e os educadores). Nele são narradas histórias de meninos e meninas de três estados brasileiros: Pernanbuco, Rio de Janeiro e São Paulo. As histórias são contadas por seus próprios autores. A genialidade do diretor está em dar voz a estes que tão pouco são ouvidos pela sociedade. Eles falam sobre seus sonhos, seus medos e suas realidades. Falam da angústia e da ansiedade em descobrir quem são e o que desejam pro futuro. Falam de como lidam com as circunstâncias de suas vidas e do que estão fazendo pra alcançar seus objetivos, pra realizar seus sonhos.

A obra também cede a palavra aos educadores - professores e diretores escolares - que lidam com o caos de educação nacional, especialmente da rede pública de ensino, e que pouco recebem em troca. Que não são reconhecidos e que são alvo de quase nenhum investimento, por parte do Poder Público e da própria sociedade.

Por meio dos depoimentos de educadores e alunos o cieneasta traz à discussão a situação real da escola brasileira contemporânea, colocando em xeque as metodologias, a visão educacional, os recursos (ou a falta deles), o despreparo dos professores e demais responsáveis pela educação, entre outras questões.

Ao tratar do tema, o diretor destaca ainda a discrepância de nossa sociedade, quanto à divisão de recursos. Faz um paralelo da alta sociedade com a mais precária realidade do interior nordestino e da periferia de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Com isso discute também, a vulnerabilidade social levantando temas como: pobreza, drogas, criminalidade e violência. Pela voz de meninos cariocas e de uma menina paulista, que apesar da pouca idade já estão totalmente envolvidos com o mundo do crime, questiona até que ponto estes garotos e garotas são algozes ou vítimas e qual a responsabilidade da sociedade e da família na formação ou na deformação destes adolescentes.

Em seus 88 minutos, o filme abre as portas para todas estas discussões e ainda uma fresta para observarmos a família contemporânea com suas estruras corrompidas; suas relações, muitas vezes, truncadas;  suas deficiências e ausências.

É com os depoimentos emocionados da menina Ciça, com sua força, maturidade, intrepidez, seu auto-controle, sua sabedoria de parar pra olhar pra si mesma. E os emocionantes como o da menina Valéria com sua doçura, singeleza, inteligência, genialidade e com toda a graça, fineza e perspicácia, e a veia política de sua poesia. E ainda, com os depoimentos chocantes como o da menina-assassina e a frieza de uma chuva com que ela conta seu ato torpe e cruel, com o espatoso desdém que tem em relação à vida humana - à do outro e à sua própria, que João Jardim traça o perfil da nossa juventude e no lugar de respostas, nos mostra o espelho.

Isso tudo foi discutido nas aulas de Tecnologias Aplicadas ao Ensino, do curso de Prática e Vertentes do Ensino-aprendizado da Língua Portuguesa e da Literatura. Debatemos como responsáveis que somos pela educação brasileira. E pensamos um pouco sobre nosso papel, enquanto professores, na educação de nosso país, e na formação da sociedade e dos nossos pequeninos (estes nossos mistos de menina e mulher, de menino e homem, que são nossos jovens).

A discussão foi enriquecedora por nos fazer refletir sobre o nascer dos novos dias, buscando fazer um dia que nasça feliz.

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